NOS Primavera Sound 2017 - 8 Junho 2017

Run The Jewels ‘incendeiam’ parque da cidade
 
Vinte mil pessoas mas um arranque de Nos Primavera Sound a meio gás a nível musical, com destaque óbvio para a qualidade dos Run The Jewels, para a intensidade de Miguel e para os “veteranos” Justice, em estilo “melhor de”. 
 
Intenso e vibrante, e com o dedo a escarafunchar a ferida sempre que possível, o concerto dos norte-americanos apresenta-se num clássico dois MC e um DJ e promete, à partida, uma renovação no hip hop - a associação a um visionário como Shadow é pertinente e ao vivo traduz-se numa bela versão para “Nobody Speaks”.
 
El-P e Killer Mike debitam palavras à velocidade da luz, brincam um com o outro, aprovam o frequente crowdsurfing, mas apelam que os tratem como “manos” (“não os deixem cair”), são viscerais com a generalidade dos políticos (conhecidos apoiantes de Bernie Sanders e fervorosos anti-Trump) e praticam a defesa dos direitos femininos (“quando uma mulher diz não, respeitem; não pactuem com idiotas e machistas”).
 
O concerto dos Run The Jewels pecou apenas pela duração - ainda que tenha incluído um encore - e pela falta de elementos visuais (recordamos vídeos que transformavam o atual presidente norte-americano num porco ou numa horrorosa caveira). Tal como sucedeu com Kendrick Lamar que por aqui passou há dois anos (e também eles passaram por cá no palco ATP, agora palco Ponto) também eles vão “rebentar” e regressar para um concerto ainda maior. 
 
Dos Justice engomadinhos e certinhos não rezará a história deste Primavera. Quem os viu, inovadores e desgarrados na altura do disco de estreia, soltará agora uma gargalhada irónica. Dito isto, o modo remisturadores de sucessos assenta-lhes que nem uma luva, mas sentimos falta da rebeldia do passado.
 
Pouco antes, no palco Super Bock, Flying Lotus apresentava as suas derivações e propostas arrastadas de electro-qualquer-coisa (jazz, hip hop, bandas sonoras etéreas) e piscava o olho a Angelo Badalamenti ao propor uma revisão da banda sonora de “Twin Peaks”. No mesmo espaço, algumas horas antes, os Arab Strap reviam a matéria dada (vulgo rock britânico dos anos 90), Scott Matthew & Rodrigo Leão aplaudiam a audácia da organização (pena o som sofrível, pouco definido e com os vocais estridentes) e Samuel Úria resumia a carreira perante amigos e fãs no horário absolutamente ingrato das 17:00 (os artistas portugueses mereciam outro respeito por parte da organização).
 
No final da tarde os Cigarettes After Sex mostravam o álbum de estreia no palco principal (com data de lançamento para o dia seguinte) no cenário idílico do parque da cidade, perante o ar embevecido dos habitantes temporários do recinto. Duas horas depois, Miguel viu o sol por-se do mesmo local privilegiado. O seu soul funk, e a sua presença, com garra, cativaram a audiência. Samplers de Kendrick Lamar animaram as hostes numa dança bastante salutar.
 
O Nos Primavera Sound prossegue hoje com destaque para Bon Iver, Angel Olsen, King Gizzard & The Lizard Wizard, Swans e Sleaford Mods, e termina no sábado ao som de Aphex Twin, Metronomy, Japandroids, Elza Soares, Sampha e The Make Up.
 
 
Texto: Filipe Pedro
Fotografia: Hugo Lima/NOS Primavera Sound 2017

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