Super Bock Super Rock 2017 - Dia 13 Julho

O grupo chamado à abertura do festival é Alexander Search, projeto de indie pop mais reconhecível pela presença (disfarçada, ainda que mal) de Salvador Sobral como frontman e Júlio Resende na guitarra. Caricatamente vestidos, e desempenhando o seu papel de forma excêntrica, a sua abordagem ao pop e ao rock era marcada por passagens desenfreadas, gritos e pinceladas de electrónicas pouco convencionais, numa demarcação clara dos percursos individuais de cada um dos integrantes. Ainda que o público ainda não estivesse 100% sintonizado com a sua energia, e salvaguardando os problemas técnicos que ainda assolavam o palco EDP, a performance impôs-se como uma boa introdução do Parque das Nações à dinâmica de festival, e um ainda melhor aquecimento para o acto que se seguiria.

E que seria ninguém menos que os Boogarins, jovens estrelas do rock psicadélico goiano muito acarinhadas pelos fãs do género do lado de cá do atlântico. Apresentando “Lá Vem a Morte”, EP lançado este ano, deram mais uma vez mostras de não terem perdido o jeito com o tão bem-sucedido toque de tropicália que acrescentam ao seu neo-psicadelismo, numa performance que beneficiou tanto do crescente dinamismo dos seus protagonistas quanto da notável melhoria de som que se foi verificando ao longo do concerto. Alternando pelos seus primeiros 3 discos, os Boogarins venderam o seu talento com qualidade: 6000 Dias, Elogio do Cinismo ou Lucifernandis foram alguns dos destaques de um grupo que não dá sinais de abrandar nos próximos tempos.

Menos se pode dizer dos Orwells, quarteto de indie rock que pisou, de seguida, o palco EDP. Munidos da energia que se pede do acto que se presta às inclinações do punk, terão com certeza agradado aos que se identificam com mais afinco à estética, mas a poucos mais: a falta de diversidade e identidade própria fecha-os no seu círculo de influência, ao qual poucos de fora poderão (ou terão interesse em) aceder.

Melhor saíram-se os encarregados de inaugurar o MEO Arena, The New Power Generation, que nem todos podem ter reconhecido como o grupo de que se fazia acompanhar Prince. E não só: para este espetáculo, por qualquer prisma rica em musicalidade, dinâmica e ímpeto performativo, contavam com a ajuda de Bilal, colaborador de nomes tão grandes quanto o de Kendrick Lamar (que, por coincidência, foi o cabeça de cartaz da edição anterior), e a aparição surpreendente, ainda que anunciada, da fadista Ana Moura que, cantando em inglês, fez muito boa figura acompanhada do conjunto norte-americano. De resto, pouco se desperdiçou deste concerto que mesclou rock, funk, R&B e soul. A emergia dos músicos, em conjunto com uma já igualmente energética platéia, resultou numa bela abertura para os grandes concertos do Super Bock Super Rock.

Do outro lado do espaço designado do Parque das Nações, Kevin Morby preparava-se para dar início ao seu próprio espetáculo, um indie folk marcadamente próprio que, ao terceiro disco a solo, já se demarca de modo vincado daquele praticado pela sua ex-banda, Woods. Às canções, cuja simplicidade as assemelhava a tantas outras do repertório indie rock, acrescentava um toque de si próprio que as distinguia das restantes - muito à semelhança, aliás, daquilo que foi o concerto seguinte, o primeiro de Capitão Fausto no comando do MEO Arena. Os seus defeitos são conhecidos e estão à vista de todos: vozes desafinadas, canções pop descomplicadas e um descomprometimento palpável nos rostos. Mas dessa especificidade fazem identidade e, a quem essa identidade ressoa, terão parecido cumprir o seu papel com eficácia: “A Febre”, “ Maneiras Más” ou ”Corazón”, representando as diferentes fases da carreira dos lisboetas, fizeram-se ouvir particularmente bem.

Mas o verdadeiro grande concerto - sem descurar da competente performance de The Legendary Tigerman no fecho do Palco EDP (que aliás poderia ter sido trocada de lugar e hora com a de Capitão Fausto com facilidade, naquilo que foi uma clara valorização da música feita em Portugal da parte do primeiro dia de SBSR) - aquele capaz de encher arenas e esgotar dezenas de milhares de bilhetes tinha dono certo. Red Hot Chili Peppers, o segundo grupo de rock de estatuto nada menos que lendário a pisar os palcos portugueses em menos de uma semana (sendo o outro Foo Fighters, uma semana antes, no NOS Alive), foram aqueles que fizeram encher o Parque das Nações de ânsia no primeiro dia de festival, e dificilmente poder-se-á dizer que alguém tenha saído de lá desapontado com o prometido.

De facto, se houve um sentimento que se foi instalando logo aos primeiros momentos, com a abertura frenética de “Can’t Stop” e “Snow (Hey Oh)”, foi o de que, tendo em conta a longevidade, universalidade e influência do quarteto (foram, se não o são ainda, referência cultural quase omnipresente na esfera musical), é bem possível que os Red Hot Chili Peppers sejam os melhores do mundo naquilo que fazem. Parecem cruzar, pelo menos, todos os quadradinhos no que respeita a qualidade de som, presença de palco, habilidade e emoção. Uma aparição vibrante, daquelas que, depois de 11 anos longe dos nossos palcos, será para recordar não só pelo seu valor histórico, nem tão pouco apenas pelo alinhamento, diversificado e ilustrativos das diversas fases da sua carreira (houve “Suck My Kiss”, “By The Way”, “Californication” e “Rain Dance Maggie”), mas também e principalmente pelo facto de não sabermos quando teremos, por cá, concerto de igual calibre novamente.

Texto: Pedro Miranda
Fotografia (em actualização): Rúben Viegas

Sobre Nós

A paixão pela música e fotografia, conciliou para a criação deste site de fotojornalismo, feito com o total profissionalismo de quem pretende ajudar a criar uma página digna de quem procura notícias, fotos e vídeos dos melhores concertos em Portugal.

 

Registo ERC nº 125369

Últimas Notícias

Promotoras

Newsletter

Subscreva e esteja a par de todas as novidades