dEUS
AULA MAGNA
4 de Fevereiro de 2012
O regresso dos dEUS a uma casa de rabos colados às cadeiras (assim acusou o vocalista, Tom Barman, a meio do concerto) não deixou margem os sons mais pujantes proliferarem no corpo. A Aula Magna esteve esgotada, mas a banda de Antuérpia também não se mostrou longe desse estado. O início contido da noite, com “The Final Blast”, mostrou o que viria a ser uma performance distante do risco.
Assumidos habitués dos palcos portugueses, na noite de 4 de fevereiro (após o concerto no Teatro Sá da Bandeira, no Porto), os dEUS estiveram bem, mas não rebentaram as colunas. Brindaram Lisboa com 19 músicas vindas desde o seu álbum de 1994, “Worst Case Scenario”, até ao recente “Keep You Close”.
À terceira faixa – ainda na sobriedade de um violino que só manifestou a verdadeira força mais para o final do concerto, no clássico “Suds & Soda” –, Tom Barman tirou o casaco… E renasceu a esperança de o ver arrastar a ganga pelo palco. Pelo menos, o público assim pediu – embora entretido nas cadeiras da Aula Magna, mostrou-se participativo e conhecedor de longa data das letras e batidas dos belgas.
Em palco, o novo álbum mostrou-se capaz de uma boa envolvência com o público. E é nessa proximidade e calor humano que os dEUS – nas boas e menos boas noites – são mestres. Aliás, na primeira parte do concerto, a abrir a acústica de “Instant Street”, Tom Barman pronunciou-se sobre o tema, dizendo que se sentia tão longe das primeiras filas que dava para “jogar badmington”. Talvez a raiva tenha batido nesse momento e, por isso, a parte guitarrada da música tenha partido a sala. Com “If you don’t get what you want”, do álbum “Pocket Revollution”, a banda iniciou nos pés mais agitados uma segunda metade de concerto bem mais enérgica e entusiástica.
Da noite, para além da vontade de regresso com maior peso, ficou uma quase-certeza: nem o público lisboeta, nem Tom Barman conseguem resistir aos clássicos: “Sister Dew”, “Suds & Soda” ou “Little Arithmetics” fizeram saltar os ânimos da plateia e do palco; e “Theme from Turnpike” – onde Tom Barman fumou um guloso cigarro, entoando “no more loud music” – protagonizou, sem dúvida, o momento em que a banda subiu ao auge para fazer Deus descer à terra.
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Texto: Rute Barbedo
Fotografia: Pedro Almeida















