Soen ao vivo no RCA em Lisboa

SOEN
Soen
15 Outubro - RCA Club (Lisboa)
1ª Parte: Lizzard + The Red Paintings
Abertura de Portas: 20h00 - Inicio espetáculo: 20h30

Maestros do metal progressivo liderados por Martin Lopez (ex-Opeth), apresentam a novidade «Tellurian» em Portugal num concerto único.

Uma das coisas mais excitantes em relação à música pesada moderna é, sem dúvida, a nova vida que foi soprada no movimento do metal progressivo durante a última década e meia. Desde a viragem para o novo milénio, assistiu-se a um aumento consistente na produção de propostas muito interessantes dentro do género, que agora também tem raízes no rock alternativo dos anos 90 em vez de se centrar única e exclusivamente na década de 70, época em que surgiram muitas das pedras basilares do prog e que, ainda hoje, quase quatro décadas depois, continua a ser vista como a época dourada desta tendência. A nova geração tem revelado ao mundo inúmeros músicos que, apesar de continuarem a apreciar e a respeitar o rock progressivo clássico, pretendem emancipar-se dos progenitores e deixar uma marca sua numa onda criativa que há muito tinha parado efetivamente de progredir. Ao invés do que se passou durante grande parte dos anos 80 e 90, o metal/rock progressivo é hoje um movimento diversificado e relevante, feito de bandas com personalidades bem fortes e sonoridades tão distintas quanto se possa imaginar.

É complicado encontrar um melhor exemplo da vitalidade do prog atual que os SOEN, liderados pelo versátil Martin Lopez, ex-baterista dos icónicos Opeth e Amon Amarth. Com apenas dois lançamentos no currículo, são já vistos como uma das maiores revelações dos últimos anos neste espectro e, após a estreia em Portugal há três anos como convidados especiais dos Paradise Lost na Tragic Idol Tour, regressam finalmente ao nosso país para um muito aguardado primeiro concerto em nome próprio. O coletivo, que conta também com Joel Ekelöf, dos Willowtree, na sua formação, vai subir ao palco do RCA Club, em Lisboa, para um concerto único, no dia 15 de Outubro, com o recente «Tellurian» a servir de mote a mais uma atuação que se espera, à semelhança das que protagonizaram em 2012, tão envolvente quanto intrigante. Uma noite altamente recomendada a fãs de Pain of Salvation, Tool, Leprous, Steven Wilson, Riverside e, claro, Opeth.

Com o lançamento de «Cognitive», o álbum de estreia de 2012, os SOEN foram descritos como a fusão perfeita entre o peso virtuoso dos Opeth e a melancolia cerebral dos Tool, mas o grupo já provou ser muito mais que apenas isso. «Tellurian», editado a 4 de Novembro do ano passado, é o segundo longa-duração do quarteto – que já contou com o lendário Steve DiGiorgio na formação e hoje é composto por Lopez na bateria, Joel Ekelöf na voz, Joakim Platbarzdis na guitarra e Stefan Stenberg no baixo – e desfaz quaisquer dúvidas que pudessem restar em relação ao engenho que os caracteriza. Esta é uma banda pouco interessada no que é simples, vazio ou demasiado óbvio. Canções como «Tabula Rasa» e «Pluton» provam que a viagem musical destes suecos opta por um caminho bastante mais ambicioso e o resultado é um corpo de trabalho expansivo, que nunca para de desafiar – sem ser inteligente só "porque sim" e sem nunca se tornar difícil de apreciar. As melodias são intrincadas, as prestações dos músicos são musculadas e as melodias são contagiantes, ficando no ar a clara sensação de estarmos perante o caso raro de um projeto cuja intenção está muito mais em sintonia com o tipo de valores fundamentais da música progressiva – a musicalidade qualificada, a emoção na precisão, a importância da capa de um álbum – do que a de muitos dos seus competidores.


BIOGRAFIA SOEN

Apesar de fundados em 2004 pelo baterista Martin Lopez (ex-Opeth e Amon Amarth) e pelo guitarrista Kim Platbarzdis, os Soen estiveram em hibernação até 2010. Nesta altura, juntaram-se à dupla Joel Ekelöf na voz e ao baixista Steve DiGiorgio (que tem no currículo passagens por grupos tão aplaudidos como Death, Sadus, Testament e Iced Earth, entre muitos outros) e o quarteto deu então início a um processo de composição que viria a materializar-se, dois anos depois, no álbum de estreia «Cognitive».

Descrito como "uma mistura perfeita de Tool e Opeth", o disco foi editado pela Spinefarm Records em Fevereiro de 2012 e foi recebido com aplausos unânimes pela crítica especializada e pelas franjas mais alternativas dos fãs de metal e rock progressivo. O coletivo pintou a sua tela musical com traços gerais que, na primeira audição, poderiam parecer cinzentões, mas o verdadeiro poder da sua música reside um pouco abaixo da superfície monocromática, numa intrincada rede de melodias que embala o ouvinte submerso numa tormenta de melancolia com uma luz ao fundo do túnel.

Nesse mesmo ano, a banda embarca em digressão pela Europa como convidados especiais dos ingleses Paradise Lost na Tragic Idol Tour, solidificando também uma forte reputação em palco, graças a uma sequência de atuações muito sólidas e envolventes, em que a atmosfera acaba por ter tanta relevância quanto a proficiência técnica. Tornou-se rapidamente óbvio que não estávamos "apenas" perante mais uma colaboração de músicos talentosos; os Soen eram mais que um daqueles super-projetos que gravam um álbum, dão uns tantos concertos e caem rapidamente no esquecimento.

Três anos depois estão de regresso com o sucessor de «Cognitive», um registo ainda mais expansivo e memorável. Produzido novamente pelo guitarrista Kim Platbarzdis, misturado pelo lendário David Bottrill (vencedor de um Grammy e nome associado aos Tool, Smashing Pumpkins, Muse ou King Crimson) e disponibilizado pela Spinefarm, «Tellurian» mostra os Soen – cuja formação fica agora completa com Stefan Stenberg no lugar de baixista após a saída de DiGiorgio – a partirem exatamente do ponto em que tinham ficado com o álbum de estreia, empurrando ainda um pouco mais as fronteiras em termos de abrangência e revelando toda a confiança de um grupo de músicos que encontrou finalmente a sua voz. Rítmico, experimental e fluído, sem que o lado virtuoso alguma vez tome precedência em relação às qualidades das canções, «Tellurian» revela-se um registo capaz de agradar a qualquer pessoa que goste de boa música, feita por músicos de exceção.

Os bilhetes para o concerto custam 15€, à venda nos locais habituais.

Press release: Prime Artists

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