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Génio britânico do rock progressivo moderno estreia-se a solo em Portugal e apresenta a muito aplaudida novidade «Hand. Cannot. Erase.».
Como indiscutível figura de proa e homem dos mil talentos do rock progressivo moderno, o britânico STEVENWILSON já tem pouco a provar e, ainda assim, o seu quarto álbum solo afirma-se como uma aconchegante reafirmação dos valores base que têm dominado a sua carreira desde que, no final dos anos 70, começou a fazer música. Em contraste com as histórias de fantasmas vitorianos exploradas no muito elogiado «The Raven That Refused To Sing (And Other Stories)», editado em 2013, a novidade «Hand. Cannot. Erase.» revela-se um álbum enraizado na modernidade espiritual e sónica, evitando em grande parte os clichés do prog mais tradicional em favor de uma fusão altamente criativa e desafiante de paisagens sonoras de natureza industrial, tão sombrias como melancólicas, apoiadas na prestação robusta e musculada por parte dos virtuosos músicos que acompanham hoje o multi-facetado guru do som inglês. Menos jazzísticos que o material contido no seu antecessor, temas como «3 Years Older», «Home Invasion» ou «Happy Returns» reúnem tudo aquilo que de melhor o músico tem vindo a fazer ao longo da sua ilustre carreira, dando origem a um compêndio de temas de qualidade superior e a um sério candidato a melhor álbum de 2015 no espectro da música progressiva.
Inspirado pela bizarra história da jovem londrina Joyce Carol Vincent, que permaneceu morta no seu apartamento durante quase três anos antes de ser descoberta, «Hand. Cannot. Erase.» apresenta-se como uma viagem musical incrivelmente rica e detalhada, pintada em cores vivas e com inúmeros momentos de simplicidade melódica e orelhuda, mas pesado no que toca ao conteúdo lírico, dominado por pensamentos de alienação social e urbana. A habilidade refinada de Wilson como compositor, produtor e engenheiro de som dão origem a canções que merecem um público muito mais amplo que aquele que, de há uns anos a esta parte, vê o seu trabalho como um equivalente moderno dos Pink Floyd ou dos Genesis. É este registo inteligente, cheio de alma e, acima de tudo, muito envolvente, que vai trazer o músico britânico pela primeira vez a Portugal em nome próprio, para um espetáculo único na Sala Tejo, da Meo Arena, em Lisboa, no próximo dia 15 de Setembro.
Graças a uma prolífica ética de trabalho que lhe permite rivalizar com Devin Townsend e a sua extensa lista de projetos paralelos, o músico autodidata, produtor, engenheiro de som e multi-instrumentista STEVEN WILSONfoi-se transformando progressivamente num dos artistas mais aclamados pela crítica ao longo das últimas décadas. Nascido em Kingston Upon Thames, em Londres, em 1967, sentiu-se inspirado a perseguir uma carreira na música depois de devorar a coleção de discos dos Pink Floyd e de Donna Summer que os seus pais tinham em casa e, com apenas 12 anos, já tinha começado a experimentar com diferentes técnicas gravação. Depois de passagens por vários projetos, incluindo o duo psicadélico Altamont, os roqueiros prog Karma e a banda new wave Pride Of Passion, em 1987 Wilson formou a banda de pop art No Man em conjunto com o vocalista Tim Bowness e, nesse mesmo ano, a sua mais famosa criação de sempre, os Porcupine Tree. A partir de então continuou a trabalhar alternadamente com os dois coletivos, lançando um total de 16 álbuns entre 1991 e 2009, antes de embarcar numa muito bem sucedida carreira a solo.
Apesar do compromisso a longo prazo com os Porcupine Tree e No Man, Wilson ainda encontrou tempo para materializar outros projetos e, só durante a década de 90, gravou eletrónica ambiental com os Bass Communion, krautrock revivalista com os Incredible Expanding Mindfuck e criou também os muito aplaudidos Blackfield, numa colaboração com a estrela do rock israelita Aviv Geffen. Demonstrando uma enorme versatilidade, transformou-se também num requisitado produtor, trabalhando em registos de músicos tão diversos como a vocalista norueguesa de jazz Anja Garbarek, com os metaleiros Opeth e Orphaned Land e até com Fish, o ex-vocalista dos Marillion; participou como vocalista convidado em discos dos Pendulum e Dream Theater, entre outros, e começou a trabalhar como crítico musical em publicações de renome como a Rolling Stone e a Classic Rock. Como se isso não bastasse, em 2003 criou o seu projeto a solo, com o qual já gravou quatro álbuns – «Insurgentes» em 2008, «Grace For Drowning» em 2011, «The Raven That Refused To Sing (And Other Stories» em 2013 e, editado a 27 de Fevereiro deste ano, a novidade «Hand. Cannot. Erase.».
BIOGRAFIA STEVEN WILSON
Um dos mais ecléticos e prolíficos nomes de que há memória no seio do movimento prog rock, Steven Wilsonescreve e produz música ininterruptamente desde os dez anos de idade e foi exposto pela primeira vez a esse universo quando, com apenas oito anos, ouviu o «Dark Side Of The Moon» dos Pink Floyd e o «Love To Love You Baby» de Donna Summer na companhia dos pais. Esses foram os álbuns fundamentais no desenvolvimento da direção musical que seguiria uns anos mais tarde quando o pai, que era engenheiro elétrico, lhe construiu um gravador multi-pistas e lhe colocou nas mãos as ferramentas necessárias para começar a experimentar com várias técnicas de produção e gravação. As primeiras maquetas começaram a surgir em meados dos anos 80 – numa altura em que Steven ainda estava na escola – e, no final da década, criou dois projetos que lhe valeram a entrada no mundo da música profissional: Porcupine Tree e No-Man. Os Porcupine Tree, que exploravam a sua enorme paixão pela música progressiva, psicadélica e ambiciosa dos anos 70, eram inicialmente uma banda imaginária, sendo o próprio a gravar todos os instrumentos. Os No-Man, por seu lado, eram uma colaboração com Tim Bowness e, graças à associação aos selos One Little Indian e Epic, começaram a receber elogios desde cedo. Influenciados por tudo o que vai do ambiental ao hip-hop, os singles e álbuns iniciais eram uma expansiva mistura de batidas dançáveis e orquestrações exuberantes, numa fusão que lhes valeu críticas favoráveis por parte de publicações como a Melody Maker e a Sounds.
Entretanto a popularidade crescente dos Porcupine Tree começava a superar o imaginário da pretensa banda. O segundo álbum, «Up The Downstair», de 1993, marcou a estreia do teclista Richard Barbieri e do baixista Colin Edwin e foi elogiado como "obra-prima do psicadélico". Ainda antes do final desse ano, transformam-se num grupo a sério com a inclusão de Chris Maitland na bateria, começam a fazer digressões e continuam a editar consistentemente novos discos, passando a ser vistos como "os Pink Floyd dos anos 90". Em 2001 assinam com a Lava Records, uma subsidiária da Atlantic e, com o apoio de uma estrutura maior e o novo baterista Gavin Harrison, editam «In Absentia» no ano seguinte. Apesar do som bastante mais pesado, o disco subiu às tabelas de vendas em vários países europeus e continua a ser um dos maiores sucessos de vendas dos Porcupine Tree. De seguida, Wilson baseou-se num argumento que escreveu em parceria com o cineasta Mike Bennion para compor «Deadwing», que foi considerado Álbum do Ano pela Classic Rock e se transformou no primeiro álbum do grupo a entrar para a Billboard 200. Em 2006, é editado o DVD ao vivo «Arriving Somewhere» e, no ano seguinte, um novo registo de originais. «Fear Of A Blank Planet», foi o registo dos Porcupine Tree que mais vendeu até à data, entrou para o #59 da Billboard e chegou ao # 31 no Reino Unido, sendo nomeado para um Grammy e considerado "álbum do ano" em várias publicações.
Entretanto o músico britânico tinha começado calmamente a lançar música em nome próprio e, a partir de 2003, disponibilizou através da sua própria editora, a Headphone Dust, uma série de CD-singles de dois temas, cada um com uma versão e uma canção original. A escolha e tratamento das "covers" (de originais de Alanis Morissette, Abba, The Cure e Prince, entre outros) eram totalmente imprevisíveis e, estilisticamente, permitiram-lhe expandir a sua paleta musical, da eletrónica ao noise, passando até por um registo acústico, mais despojado e baladeiro. Foram essas experiências que, em 2008, o inspiraram a gravar um disco de estreia a solo. «Insurgentes», de 2008, foi o resultado de dois anos de produção criativa e inúmeras sessões de gravação em todo o mundo, da Cidade do México ao Japão, passando por Israel. O segundo álbum a solo, «Grace for Drowning», um CD-duplo que reuniu «Deform To Form A Star» e «Like Dust I Have Cleared From My Eye», seguiu-se em 2011; no mesmo ano embarcou na sua primeira digressão em nome próprio, foi convidado para remisturar o catálogo dos King Crimson e juntou-se a Mikael Åkerfeldt, dos Opeth, para gravar como Storm Corrosion. De seguida, começou a compor com a banda que o acompanhou na estrada e que inclui na sua formação (o ex-teclista de Miles Davis) Adam Holzman e o guitarrista Guthrie Govan. Intitulado «The Raven That Refused To Sing (And Other Stories)», o primeiro fruto dessa colaboração, foi criado com base numa série de histórias curtas escritas por Wilson com Hajo Mueller e produzido pelo famoso Alan Parsons, sendo lançado em 2013. No Verão do ano seguinte é editado «Cover Version» (uma coletânea dos singles lançados entre 2003 e 2010) e, em Março de 2015, um novo trabalho conceptual intitulado «Hand. Cannot. Erase.».
Os bilhetes para o concerto custam 25€, à venda nos locais habituais.
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