Ruben Viegas
Sepultura ao vivo no Hard Club dia 4 Julho 2017
04 Julho | Hard Club (Porto)
Primeira Parte: Equaleft
Abertura Portas: 20h00 - Inicio espetáculo: 21h00
|
Três décadas depois de se terem juntado em Belo Horizonte e três anos depois de terem estado pela última vez em Portugal, os SEPULTURA vão estar de regresso ao nosso país em 2017. O espetáculo está marcado para o dia 4 de Julho, no Hard Club, no Porto, sendo que a banda brasileira promete elevar ainda um mais os já altíssimos níveis de intensidade da sua última passagem por cá, em que protagonizou um concerto incendiário no Paradise Garage, em Lisboa. Desta vez o quarteto toca uma data única a norte e, na bagagem, traz «Machine Messiah», o mais recente registo de estúdio, já o 14º de um percurso constante que os tem mostrado a evoluir musicalmente de uma forma que nunca ninguém poderia ter imaginado, durante os 80s, ao ouvir discos como «Bestial Devastation», «Morbid Visions» ou «Schizophrenia». A verdade é que, tantos anos depois, o coletivo hoje formado por Andreas Kisser, Paulo Jr, Derrick Green e Eloy Casagrande é já uma verdadeira instituição da música extrema, influência marcante em incontáveis grupos surgidos durante as últimas duas décadas e um dos nomes internacionais com mais afinidade com o público nacional.
Com 14 álbuns no fundo de catálogo não seria, de resto, difícil para os SEPULTURAconstruírem um alinhamento de clássicos e partirem em tour pelo mundo, vivendo à custa de um passado brilhante. A banda não parece, no entanto, de resto nunca pareceu, interessada em viver apenas e somente à custa do passado e, mesmo depois de ter perdido os dois elementos fundadores, nunca baixou os braços, continuando a esculpir, a pulso, um percurso sinuoso que desafia todas e quaisquer expectativas que se pudesse ter em relação a eles.
Fruto da convicção inabalável do timoneiro Andreas Kisser, os porta-estandartes da música de peso brasileira souberam como reerguer-se e, carregando nos ombros o peso inolvidável dos dias de glória que viveram na transição dos 80s para os 90s graças à sequência de álbuns clássicos formada por «Beneath The Remains», «Arise», «Chaos A.D.» e «Roots», reinventaram-se à luz deste novo milénio, caminhando por terrenos experimentais e aventureiros, mas com um pé firme na tradição thrash. Editado na sequência dos muito aplaudidos «A-Lex», «Kairos» e «The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart», «Machine Messiah» foi disponibilizado no dia 23 de Janeiro deste ano e veio quebrar um período de três anos de silêncio editorial por parte do coletivo com uma bomba refratária de riffs pesados, ritmos rápidos, arranjos elaborados e uma atitude experimental ainda um pouco mais arrojada. O risco foi, uma vez mais, recompensado com elogios por parte da crítica e uma receção calorosa por parte do público, de que é um ótimo exemplo a entrada para o #35 da tabela de vendas nacional.
Nesta paragem portuguesa da Machine Messiah Tour 2017, os SEPULTURA vão contar com os nacionais EQUALEFT como “suporte”. Contando com mais de uma década de existência, o grupo do Porto juntou-se em 2003 e, desde então, têm vindo paulatinamente a afirmar-se como um dos mais trabalhadores e astutos projetos criados em solo lusitano no Séc. XXI. Optando por seguir um esquema de crescimento sustentado, o quinteto começou por gravar dois singles, sucedidos rapidamente pela maqueta «as the irony preVails» e pelo EP «the truth Vnravels», em 2010. Essas quatro edições, recebidas de uma forma muito positiva pelo público e imprensa, mostraram uma banda apostada em fugir ao óbvio, à procura de uma linguagem própria enquanto iam diluindo as suas referências num som bem forte e poderoso, em que o virtuosismo dos instrumentistas tem tanta preponderância como a energia que caracterizam o vocalista do grupo. Em 2014, pouco mais de uma década depois de ter iniciado o seu percurso, a banda lançou finalmente o seu álbum de estreia – «adapt & survive», editado em parceria pela Raging Planet e Raising Legends – que se afirmou como um dos discos mais interessantes do ano, verdadeira explosão de balanço grave, atitude e muito peso, apoiado em guitarras de oito cordas.
Os bilhetes para o concerto custam 20€, à venda a partir do dia 29 de Março, nos locais habituais.
|
|
Biografia
|
|
A história dos brasileiros Sepultura começa, em Belo Horizonte, no ano de 1983. Mais precisamente no momento em que os irmãos Cavalera, Max e Igor, decidiram convidar dois colegas de liceu, Paulo Jr. e Jairo Guedz, para formar uma banda. Um ano depois, o dono da Cogumelo Records vê-os tocar num festival e contrata-os de imediato, seguindo-se a edição de «Bestial Devastation». Gravado em dois dias (e partilhado com os Overdose), é editado em 1985 e dá origem a uma tour pelo Brasil, que antecede o álbum de estreia, «Morbid Visions», e a troca de Jairo por Andreas Kisser, em 1986. O passo seguinte é dado com «Schizophrenia», o último disco para a Cogumelo e aquele em que começam a dar que falar, vendendo cerca de 10.000 cópias nas primeiras semanas. A New Renaissance lançou-o depois nos Estados Unidos e, em 1989, surge a oferta por parte da Roadrunner Records para um contrato de sete anos, que assinam para o lançamento do derradeiro terceiro disco. Gravado em nove dias e produzido por Scott Burns, o hoje clássico «Beneath the Remains», afirmou-os como sérios candidatos ao pódio do thrash, sendo considerado um dos melhores lançamentos do ano e comparado ao «Reign in Blood», dos Slayer. Os Sepultura fazem pela primeira vez uma digressão fora do Brasil, que inclui uma paragem no Dynamo Open Air, onde tocam para cerca de 26.000 pessoas e conhecem Gloria Bujnowski, que se transforma na manager do grupo. É aí que começa a escalada para o sucesso... Em 1991, tocam no Rock in Rio II, para 50.000 pessoas e, dois meses depois, lançam «Arise», que vende cerca de 160.000 cópias nas oito primeiras semanas. Sucedem-se muitos concertos e, dois anos depois, «Chaos AD», o primeiro com influências tribais e que dá origem aos singles «Refuse/Resist», «Territory» e «Slave New World».
Em 1996, o single «Roots Bloody Roots» antecede o álbum «Roots», o trabalho mais experimental da sua carreira até à data, incluindo um tema com participação de Carlinhos Brown, dois gravados com os índios Xavantes e presença de percussão, berimbau e batidas tribais ao longo de todo o disco. A meio da digressão mundial de promoção, a banda é informada da morte de Dana Wells, um dos filhos de Gloria. Tocam como trio no Monsters of Rock desse ano e terminam a tour no Ozzfest, após cancelarem três semanas de concertos nos Estados Unidos. Em Dezembro de 1996, rebenta a bomba: Max Cavalera deixara a banda, depois de Gloria, sua mulher, ter sido despedida pelos outros três membros. O próximo ano e meio foi de indefinição, com o silêncio quebrado apenas pela compilação «Blood-Rooted». Só no início de 1998 voltam ao ativo, com o norte-americano Derrick Green na voz e Kisser a assegurar todas as partes de guitarra. Em Maio, viajavam até ao Japão para colaborar com os Kodo. O resultado, intitulado «Kamaitachi», é incluído no primeiro longa-duração da fase pós-Max. Sobrevivendo ao período mais difícil da sua carreira, os Sepultura voltam à carga com «Against», que chega aos escaparates em 1998. Apesar das reações pouco consensuais, os músicos seguem o seu caminho, gravando «Nation» em 2001, «Revolusongs», um EP de versões, em 2002, «Roorback» em 2003 e o primeiro disco ao vivo da sua carreira, «Live In São Paulo», em 2005. O décimo álbum de estúdio, «Dante XXI», é editado em 2006, baseado n'«A Divina Comédia» de Dante Alighieri. O primeiro fruto da união à SPV Records é também o terceiro álbum conceptual da carreira da banda, na sequência de «Roots» e «Nation». É por esta altura que surgem os primeiros rumores de uma reunião com Max, mas – para surpresa geral – o regresso da carismática voz do grupo nunca se chega a materializar e, antes de começarem a tour de promoção a «Dante XXI», Igor decide abandonar, sendo substituído por Jean Dolabella.
Depois de mais de 100 concertos, que os levaram da Europa aos Estados Unidos, passando também pela América Latina, Kisser e companhia começam então a desenvolver o conceito do próximo disco, o primeiro sem qualquer Cavalera no grupo. Baseado em «A Clockwork Orange», «A-Lex» foi produzido nos Estúdios Trama, em São Paulo, com Stanley Soares, e editado no início de 2009. Produzido pelo guitarrista Roy Z, «Kairos», o 12º álbum dos Sepultura, marcou a estreia na Nuclear Blast e mostrou-os a adotarem uma sonoridade consideravelmente mais pesada e foi muitíssimo bem recebido pela crítica especializada, trepando ao top de vendas de vários países europeus. A 16 de Abril de 2011, tocam na Virada Cultural de São Paulo – num concerto especial em que interpretaram alguns dos seus temas mais conhecidos acompanhados pela Orquestra Experimental de Repertório – e, já em Novembro do mesmo ano, Dolabella sai e entra para o seu lugar Eloy Casagrande, um talentoso jovem de 20 anos. É com esta formação que participam na digressão Thrashfest Classics e que, em Dezembro de 2012, começam a gravar «The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart». Em 2013, antes da edição do novo álbum, tocam duas vezes no Rock In Rio, primeiro numa colaboração com os franceses Tambours du Bronx e uns dias depois, no palco Sunset, com o cantor Zé Ramalho, num espetáculo a que chamaram ”Zépultura” e que lhes valeu rasgados elogios. Composto durante os dois últimos anos, «Machine Messiah» marcou o regresso dos brasileiros aos registos de longa-duração em Janeiro de 2017. Produzido pelo sueco Jens Bogren, o 14º álbum de estúdio dos Sepultura foi disponibilizado uma vez mais com selo Nuclear Blast e recebido com aplausos unânimes, sendo que a banda tem passado os últimos meses a promovê-lo com concertos deste e do outro lado do Atlântico, ao lado de bandas como Kreator e Testament.
|
Entrevista Cigarettes After Sex - NOS Primavera Sound 2017
Deep Purple - The Long Goodbye Tour em Portugal
Deep Purple com The Long Goodbye Tour, dia 6 de Julho no Meo Arena em Lisboa.
Esta será a última oportunidade de ver os nomeados para a Rock ‘n’ Roll Hall of Fame, Deep Purple, uma das bandas mais icónicas de sempre, na digressão de suporte ao seu novo álbum ‘inFinite’ a ser editado nos primeiros meses de 2017 pela earMusic early, e cujo primeiro single será lançado a 20 de Janeiro.
Ian Gillan, Roger Glover, Ian Paice, Steve Morse e Don Airey (Fase VIII da banda) continuam a explorar os caminhos diversificados do hard rock - as texturas e nuances dos trabalhos mais recentes nada têm de recauchutado.
Se pusermos o catálogo inteiro da banda a tocar em modo aleatório, o resultado será um dos melhores tributos à música rock. Nos anos mais recentes, os Deep Purple têm-se alargado progressivamente a novas áreas do rock, de modo a captar o interesse de fãs que ainda não eram nascidos na época em que os Deep Purple dominavam a cena musical. Os álbuns ‘In Rock’ (1970) ‘Machine Head’ (1972) e ‘Made In Japan’ editado em 1973, catapultaram a banda para o topo da tabela no que toca a facturação em espectáculos ao vivo e vendas de discos pelo mundo inteiro, com a música ‘Smoke On The Water’ a alcançar o estatuto de mega hit.
Tendo acumulado tantas músicas que são consideradas “clássicos”, os alinhamentos dos concertos ao vivo são sempre alvo de debate entre os fãs mais antigos e os mais recentes, especialmente com a nova edição de ‘NOW WHAT ?!’, o álbum com título de ouro que entrou nos top 10 de todo o mundo. O último capítulo de uma carreira com mais de 120 milhões de álbuns vendidos, e que vendeu por si só mais de meio milhão de cópias tendo a banda vendido mais de 1 milhão de bilhetes para concertos desde a sua edição.
Os vídeos "From the Setting Sun in Wacken" e "To the Rising Sun in Tokyo" atingiram, no mesmo dia, o 1º e 2º lugares na tabela de vídeos do Reino Unido, mostrando assim o fascínio que os espectáculos da banda exercem junto dos seus fãs.
BILHETES
BALCÃO 2: € 35.00
PLATEIA EM PÉ: €45.00
BALCÃO 1: € 55.00
BALCÃO 0: € 65.00
RAMPAS: € 35.00
(mobilidade condicionada)
Press Release: Ritmos e Blues
NOS Primavera Sound 2017 - 10 Junho 2017
Portugal recebeu os parabéns da diva Elza Soares e atuações absolutamente inesquecíveis de Aphex Twin, The Make-Up e The Black Angels. Dificilmente o Nos Primavera Sound poderia ter encerrado de melhor forma a sexta edição.
O herói máximo do dia tem por nome Ian Svenonius. O mentor e vocalista dos Make-Up foi interventivo, filosofou e apresentou temas dos para muitos clássicos “Sound Verite” (1997), “In Mass Mind” (1998) e “Save Yourself” (1999). Nós que tivemos a sorte de os ver e entrevistar no pequeno e histórico L’Ubu, em Rennes, em dezembro de 1997, sabíamos bem ao que íamos e, passados estes anos todos, não nos sentimos minimamente defraudados, bem pelo contrário. Um feroz animal de palco que habitou constantemente as primeiras filas, equilibrando-se em cima do público, com o apoio de seguranças e de alguns fãs mais acérrimos, com o seu estilo peculiar de literalmente engolir o microfone enquanto canta o maravilhoso selvagem gospel apocalíptico. O som esteve no ponto e, qual Vinho do Porto, foi curioso confirmar a vitalidade de canções com praticamente vinte anos. Gostávamos muito de os voltar a ver novamente em nome próprio, obrigado Nos Primavera Sound por mais um precioso episódio da ‘máquina do tempo’ (falta agora convidar Bobby Conn, Trans Am ou Les Georges Leningrad, por exemplo).
Mais tarde, no mesmo palco, os Black Angels tocaram quase integralmente o recém-editado “Death Song”, de longe o seu melhor trabalho, uma autêntica viagem aos anos 70 e ao psicadelismo rock. Diversificado, com alma, ótimas letras e uma invejável produção. Infelizmente os texanos receberam um horário relativamente ingrato: o de competir com o genial Richard D. James, Aphex Twin.
E o músico britânico autor de discos essenciais como “Richard D. James Album” (1996), “Drukqs” (2001) ou “Syro” (2014), e de inúmeras remisturas ‘for cash’, não esteve para brincadeiras. Quinze anos volvidos da fase da obscuridade onde o viramos no Número Festival ou no Primavera Sound de Barcelona quase na penumbra, Aphex apresenta-se agora com 15 ecrãs em palco (contando com os painéis laterais) mas aponta a câmara para as filas da frente, acrescenta efeitos e distorce a realidade (será um ‘efeito’ aplicável em tempo real desenvolvido pelo amigo realizador dos icónicos “Come to Daddy”, "Windowlicker" e “Rubber Johnny”, Chris Cunningham?) em ‘batidas’ visuais que acompanham os elevados bpm do seu live act/deejaying. Musicalmente irrepreensível e, até, frequentemente inovador, o ‘tio’ Aphex soube cativar e surpreender a audiência com as sonoridades mais arrojadas e experimentais de todo o festival (nem Nicolas Jaar conseguiu aproximar-se).
Depois destes três colossais concertos, arrastámo-nos, literalmente, até ao palco Pitchfork para testemunhar os ‘punkers’ Against Me na apresentação do mais recente “Shape Shift With Me” (2016). Após uma pausa para um fantástico crepe de banana, amendoim e chocolate, regressamos ao Pitchfork (o único palco que se ‘estica’ madrugada fora) para testemunhar a atuação inspirada de Tycho - heterónimo do músico Scott Hansen que apresentou também um disco do ano passado, o curioso “Epoch” -, a apresentação ‘techno-house’ da dupla de Belfast, Bicep (Andy Ferguson e Matt McBriar) e o dj set de Marc Piñol (aka DJ de Mierda - sinceramente não é assim tão mau, mas também não foi propriamente diferenciador). A afterparty oficial prometia mais do que cumpriu, e a falta do estóico Nuno Lopes foi sentida.
Horas antes, no palco Super Bock, o Sampha promovia o disco de estreia “Process”, editado no início do ano. Infelizmente o som sofrível impediu a real perceção da qualidade vocal do músico londrino e optámos por ‘debandar’ até ao palco ponto, uns metros acima, onde atuavam os norte-americanos Shellac.
A banda de Steve Albini (guitarras e voz), Bob Weston (baixo, guitarra e voz) e Todd Trainer (bateria), campeã de participações no Primavera Sound (Barcelona e Porto, presença constante desde o concerto fabuloso no Auditori Forum, em 2006; depois disso voltaram sistematicamente ao palco ATP, agora palco ponto, em Portugal). Certamente que regressam em 2018 para a apresentação comemorativa dos vinte anos do icónico “Terraform”. Depois de tantas atuações, os Shellac ainda conseguem surpreender, o som esteve particularmente bom este ano e a hora mágica (por-do-Sol) pode muito bem ter sido escolhida pela própria banda, que parece adorar o palco e o cenário. Voltem, serão sempre bem recebidos.
Mitski, no palco Pitchfork, também ela em modo ‘power trio’, deu continuidade ao indie rock dos Shellac, com uma bela voz e presença - certamente que ouviremos falar mais da artista norte-americana de ascendência nipónica. De Sacramento ‘aterrou’ no Parque da Cidade o hip hop industrial experimental dos Death Grips - MC Ride (voz), Zach Hill (bateria, programação) e Andy Morin (teclas e baixo) -, onde apresentaram o recente “Bottomless Pit” (2016). Num registo bem diferente, a colaboradora de Ariel Pink, e também californiana Weyes Blood, nascida Natalie Mering, causou sensação pelo intimismo que conseguiu no palco Pitchfork.
Sensivelmente à mesma hora, os ingleses Metronomy habitavam o palco principal com as belas melodias dos álbuns “The English Riviera” (2011) e “Love Letters” (2014); infelizmente o mais recente “Summer 08” (2016) não apresenta a mesma qualidade de composição que os anteriores, apresentados em Portugal na devida altura. A revisão da matéria dada teve os seus momentos geniais, casos de “I’m Aquarius” ou “The Bay”.
Editado em janeiro de 2017, “Near to the Wild Heart of Life” revela uns Japandroids mais adultos. Os canadianos são agora menos noise e mais rock, a caminho de transformarem numa banda de estádio. Pelo caminho ficou alguma magia e algumas canções quase pop noise, como “The House That Heaven Built".
“Que massa!”, afirma Elza Soares, na primeira pausa do concerto, olhando para o cenário e para os milhares que tem em frente. Boa parte deles terão ouvido o divinal “A Mulher do Fim do Mundo” (2015), outros terão visto os vídeos e concertos anteriores (no Coliseu de Lisboa, por exemplo) e já sabiam do furacão musical que se aproximava. Praticamente com 87 anos, Elza apresenta-se num majestoso trono, no centro do palco. A mobilidade, no entanto, é uma falsa questão, uma vez que a carioca que já viveu ‘mil vidas’ (algumas bastante sofridas, leia-se a biografia…) enche o palco de voz e sentimento - e os excelentes músicos que a acompanham preenchem o resto.
“A Mulher do Fim do Mundo”, “Maria da Vila Matilde”, “Pra Fuder” ou “Malandro”, com muitas mensagens e alertas pertinentes como “cê vai-se arrepender de levantar a mão para mim”; “chega de sofrer calada, mulher tem de gritar, gemer só com prazer; reportem os abusos!” ou “mataram a Gilberta, uma transexual, é importante que outras Gilbertas não aconteçam” recebem ovação geral. Samplers, rock, funk, boas vibrações da música brasileira, uma voz poderosíssima de uma grande senhora e Rubi, contorcionista, senhor de uma voz quase tão fabulosa quanto a da diva em (Benedito &) “Benedita”. “Obrigada e parabéns Portugal”. E nisto canta o início dos parabéns e o público acompanha, em plena comunhão. Ouça-se a mensagem e o contributo interno e externo de mudança do mundo. Que cada um siga os melhores exemplos e faça o melhor que conseguir.
Sair do palco Super Bock para apanhar a recta final do concerto dos Wand no palco ponto. Uma bela gestão de pausas, com muita distorção, noise e som de garagem. Nisto atravessámos novamente para espreitar o palco Nos, habitado a esta hora pelos The Growlers. Ao fim de meia dúzia de canções optámos por ir jantar, tal era o ‘adormecimento’ imposto pelos californianos.
A exploração de novos sons - e as belas transições entre temas - executada com perícia por uns Evols coesos e competentes. Três guitarras, voz, bateria e baixos bem vincados, poderosos. A música portuguesa mais uma vez com belas referências e a dar cartas no palco principal do Nos Primavera Sound. Pena a audiência não ser um nada superior.
O mesmo poderia ser escrito sobre a catalã-irlandesa Núria Graham, autora do belíssimo “Bird Eyes” (2015), dona de uma voz encantadora. À mesma hora dos Evols, no palco ponto, atuaram os magníficos malianos Songhoy Blues que viramos há dois anos no Castelo de Sines, cortesia do Festival Músicas do Mundo.
Em conferência de imprensa a organização avançou 7, 8 e 9 de junho como as datas de 2018. A Nos considerou o Primavera o festival “mais bonito do mundo”, José Barreiro, diretor do Nos Primavera Sound, referiu, novamente, a venda integral de bilhetes na sexta-feira, dia de Bon Iver (Justin Vernon terá dito que o Primavera é o festival mais “fofinho que existe”), a tentativa de tornar o evento mais confortável, nomeadamente em termos de casas de banho, e a Câmara do Porto procurará tornar o “maior parque urbano da Europa” de melhores condições ecológicas em 2018. Encontramo-nos por lá para o confirmar daqui a, sensivelmente, um ano.
Texto: Filipe Pedro
Ariana Grande - The Dangerous Woman Tour - Meo Arena - 11 Junho 2017
Ariana, Grande em produção parca em palavras
A Meo Arena esperava ansiosamente pela entrada de Ariana Grande em palco quando um ecran gigante inicia, num relógio eletrónico, a regressão de 10 minutos até ao inicio do espetáculo.
A histeria foi imediata e os berros de ansiedade e alegria foram acompanhados de um vídeo que mostrava Ariana a compor o cabelo e as roupas e culminou em “Hold Up” um cover de Beyoncé.
O palco escurece e entra Ariana e os bailarinos em contra luz. A partir deste momento foi um jogo de produção gigantesco com um sistema de luzes e lazers avassalador, coreografias, mudanças de cenário e guarda roupa, e set list escolhido na perfeição que manteve sempre o concerto no auge, sem um momento de calmaria.
Não obstante, “Somewhere Over The Rainbow” e o logo das orelhas negras que se tornou viral, em homenagem ao atentado terrorista de Manchester à saída do local do seu concerto, marcou o momento mais solene da noite.
Os duetos foram muitos com samplers disparados onde se juntava Ariana e a sua voz magistral. Lil’Wayne em “Let Me Love You” e Nikky Minaj em “Side To Side”, apareceram no vídeowall para auxiliar a veracidade da atuação e a coesão com os originais.
Com um som que roçava uma perfeição raramente conseguida na acústica ingrata da Meo Arena, Ariana apresentou uma banda, ao estilo Prince, que acompanhou até ao fim todas as notas que saíam de tão pequena figura com tão potente voz. Êxitos como “One Last Time” ou “Focus”, que nos trouxe o revivalismo dos filmes de James Bond com a silhueta da artista num cilindro, em poses sensuais, que acompanhavam a dinâmica e a essência do que são os seus temas e a sua mensagem.
“Dangerous Woman” que dá nome à tour que passou por Portugal, apesar do momento traumático sofrido em Inglaterra, fechou um concerto eficiente, mas pouco interativo.
Ariana é de poucas palavras, alguns obrigados e incentivos à gritaria, mas pouca troca de palavras ou de mensagens mais relevantes.
Mas a emoção estava implícita apesar de ter faltado, como um elefante na sala, quebrar o gelo com o público sedento de chegar mais perto, mesmo por palavras. Talvez essa, a forma mais importante.
No entanto, o público, maioritariamente composto por jovens e crianças nunca esmoreceu.
Só lamento não ter assistido a uma casa cheia, composta, mas não esgotada como merecia, não só pela música mas pela demonstração mais do que necessária, nos dias que correm, do melhor que a cultura ocidental nos oferece, a luta pela liberdade, bondade e cooperação entre povos.
Quem falhou por medo, não falhou um concerto, falhou muito mais.
Texto: Vera Rodrigues
Mastodon ao vivo no Meo Arena (Sala Tejo)
21 Junho | Meo Arena (Sala Tejo)
Abertura Portas: 20h00 - Inicio espetáculo: 21h00
"Cinco longos anos de ausência depois, os MASTODON regressam por fim a Portugal no próximo dia 21 de Junho, para uma atuação em nome próprio na Sala Tejo da Meo Arena, em Lisboa."
NOS Primavera Sound 2017 - 9 Junho 2017
NOS Primavera Sound 2017 - 8 Junho 2017
https://www.checksound.pt/index.php/video/itemlist/user/62-rubenviegas?start=150#sigProId7eee88ec99
Shawn Mendes - Meo Arena - 10 Maio 2017
https://www.checksound.pt/index.php/video/itemlist/user/62-rubenviegas?start=150#sigProId864d01f3e0
Fotografia: Rúben Viegas
Eagles Of The Death Metal marcam presença no Festival do Crato 2017
E eis um regresso muito ansiado por uma enorme legião de fãs aos palcos nacionais. Os EAGLES OF DEATH METAL confirmam presença no Festival do Crato 2017! A banda rock norte-americana formada por Jesse Hughes e Josh Homme (Queens of the Stone Age, Kyuss) promete incendiar a plateia naquele que será seguramente um espectáculo memorável.
Esta é a nova confirmação no cartaz do Festival do Crato 2017, a juntar aos artistas JOHN NEWMAN, SEU JORGE, EMIR KUSTURICA & THE NO SMOKING ORCHESTRA, DIOGO PIÇARRA, DAVID FONSECA, BEZEGOL, MATIAS DAMÁSIO, MUNDO SEGUNDO & SAM THE KID, PIRUKA e PEDRO MOUTINHO, já anunciados.
O FESTIVAL DO CRATO vai decorrer na histórica vila alentejana de 23 a 26 de Agosto sendo o dia 21 de Agosto dedicado à habitual Recepção ao Campista e o dia 22 de Agosto - mais uma novidade na edição deste ano - como dia extra.
A zona de campismo ocasional vai abrir no sábado,19 de Agosto, a partir das 10h00 e encerra a 27 de Agosto.
Mais informações serão anunciadas brevemente!
Os passes e bilhetes diários já estão à venda nos locais habituais:
Bilhetes Diários:
Dia 23: 12€
Dia 24: 12€
Dia 25: 14€
Dia 26: 14€
Portadores de Passe 4 dias (28€)
Obrigatória a troca do Passe 4 Dias por pulseira no recinto do festival.
(Este Passe não dá direito a camping ocasional)
Acesso a Camping Ocasional (32€)
Os portadores de passe 4 dias com acesso a camping ocasional deverão efectuar a troca dos respectivos bilhetes por pulseira junto à entrada do mesmo ou nas bilheteiras junto do recinto do Festival.
Press Release: init4damusic















